"A dor física é inevitável, o sofrimento é opcional" (Boris Cyrulnik)


Dor é um sinal de alerta para proteger a vida. Mais que uma sensação e até uma emoção que pode nascer, sem acontecer uma lesão. Embora seja uma dor real, concretamente sentida, sem uma agressão orgânica que a justifique. O fato de os processos psicológicos de estresse e afeto acontecerem nas mesmas vias cerebrais vinculadas à dor, colaboram para o indivíduo confundir a dor psíquica com a dor física. Os casos intermitentes não entram neste critério. A dor crônica é multifatorial no desenvolvimento da dor crônica.


A prática da Psicanálise ensina que uma dor intensa sempre nasce de um transtorno do eu. A dor física provocada por uma lesão de um tecido e a dor psíquica provocada por um choque psicológico são um encontro íntimo entre uma situação potencialmente penosa e um homem imerso numa condição social e cultural, tendo sua própria história, uma psicologia que só pertence a ele. No tratamento, é necessário abordar todos os aspectos físicos, psicológicos, sociais e culturais desse paciente.

Sendo um fenômeno multifatorial, faz-se pertinente uma equipe interdisciplinar. Médico, fisioterapeuta, enfermeiro, terapeuta ocupacional. O terapeuta precisa compreender que é um distúrbio precoce de simbolização linguística e que o cliente precisa de uma educação emocional para saber nomear os sentimentos. Desse ponto de vista, a dor nunca seria nova, é de certa forma a repetição de uma dor antiga que vivemos, mas cuja experiência esquecemos. O que importa é o presente, no qual o paciente pode, no diálogo com o terapeuta, reconectar- se a uma história de representação mental da região dolorida.


Podemos fazer referência a um levantamento das convergências mais notáveis entre Psicanálise e Neurociência. Antônio Damásio distingue dois componentes na percepção da dor: a percepção somatossensorial, que nasce da parte onde se situa a lesão, e a percepção da mudança geral no corpo. A dor psicogênica não é a dor psíquica, mas um sofrimento corporal agudo ou crônico, cuja origem é psíquica. É uma dor somática, sem razões orgânicas que a justifique e se atribui a uma causa psicológica, em geral desconhecida. Afirma o psiquiatra Boris Cyrulnik, em uma entrevista sobre resiliência, “a dor é inevitável, o sofrimento é opcional”.

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