Apresentando meu olhar sobre a trajetória de Freud e o uso da Hipnose



Sigmund Freud foi um grande pesquisador. Realizava novos experimentos, a cada ideia nova. Apesar de muita resistência de seus colegas médicos, sempre resultava em significativas mudanças em suas teorias originais. Freud era Médico Clínico e Neurologista, em uma época em que o tratamento clínico era medicamentoso ou cirúrgico.


O primeiro método de psicoterapia utilizado por Freud teve a influência e colaboração de Jean Charcot que usava a hipnose para dar sugestões a seus clientes, melhorando seus sintomas, embora essa melhora não fosse duradoura. Isso proporcionou a Freud perceber que os sintomas eram sinais de transtornos psicológicos. Mais tarde, com a colaboração de Josef Breuer, desenvolveu o método catártico no qual, sob hipnose, o paciente respondia a perguntas que tinham o objetivo de promover descarga emocional. Os dois, Breuer e Freud, perceberam ser insuficiente, para uma cura, só a descarga emocional. Então esse procedimento precisava de repetição, para que o resultado esperado fosse obtido.


Como pesquisador, observou que esses sintomas ou sinais tinham origem em distúrbios emocionais do passado, não conscientes, e que, apesar do alívio, este não era duradouro. Obteve um “insight”: se a suspensão temporária da capacidade crítica do cliente torna possível a ele lidar com suas emoções, então o objetivo terapêutico pode ser melhorar a capacidade de lidar com emoções entes intoleráveis. Hoje, chamamos de fortalecimento do ego. Freud nomeou essa formação psíquica em “predisposições inatas” somadas às “experiências de vida”.


A partir dessa compreensão, pesquisou se funcionava a sugestão sem Hipnose. Usando o toque físico, colocava a mão na testa do cliente e dizia que, se quisesse, poderia lembrar o passado. Em pouco tempo, Freud percebeu que essa sugestão não estava trazendo o resultado desejado. E passou a incentivar o cliente a ir falando o que viesse, por si só, em seu pensamento aleatoriamente. E a Associação Livre substituiu a hipnose e tinha a mesma finalidade de permitir lembranças recalcadas por serem intoleráveis. Embora o cliente, conservando sua consciência, possa expressar sobre o presente, o passado, emoções, fantasias e sonhos, tudo seria importante pelas associações que suscitavam e, além disso, fortaleciam o ego na relação de transferência.


As instâncias Id, Edo e Superego


O Id são as predisposições inatas. O Ego é o consenso, atende o Id, sem contrariar o superego que é a censura. Se o cliente não tolera as experiências perturbadoras do passado, isso reflete também, na sua maneira de lidar com experiências análogas na relação terapêutica, que proporciona um aprendizado na reação emocional do cliente. A esse processo natural do comportamento humano, Freud chamou de transferência. Para ilustrar este fenômeno relacional, podemos lembrar da nossa relação de confiança, que se torna necessária quando precisamos de um especialista médico, por exemplo, e buscamos uma indicação. Assim, acontece a transferência da confiança que depositamos em quem indica, para o indicado.


A vida, em muitos aspectos, é terapêutica, assim como a maturidade ou maneira de interpretar o que acontece à nossa volta é muito diversa. Por exemplo, quando tínhamos a natural incapacidade em tenra idade para nos defendermos, nos valíamos apenas da repressão, e agora como adultos, podemos ressignificar pela oportunidade de simbolizar em condições diferentes.


A hipnoterapia proporciona um novo registro das percepções infantis através da ressignificação, que pode ser facilitada pelo estado hipnótico de um simples relaxamento.


Algumas das conclusões, que hoje a neurociência mostra estudando o cérebro em funcionamento, como por exemplo, que o cérebro já prepara sua reação antes de você ter ciência da sua vontade de reagir, Freud com seus experimentos e observação contínua, já tinha concluído há muitas décadas, e deu a isso o nome de “economia psíquica’. A ressignificação proporciona um novo registro que identificou como aprendizado, através da “neurose de transferência”. Infelizmente sofreu muito por ser o pioneiro na compreensão da natureza humana.


Embora o estado hipnótico hoje seja melhor compreendido, ainda existe influência do insucesso curativo. Existe o consenso de que a influência das experiências do cotidiano podem ser um catalizador que acelera e influencia novos posicionamentos. Faz-se necessária a compreensão dos conceitos estabelecidos por Freud, que vão muito além da descoberta do aparelho psíquico.


A volta da hipnose na clínica amplia o campo da consciência que auxilia percorrer o campo psíquico e garimpar os conteúdos, fazendo emergir novas representações no campo mental, permitindo ao cliente evoluir se vendo com maior saúde e bem estar.


Em qualquer estrutura, para uma mudança em uma de suas partes, é necessária a adaptação das demais, promovendo a mudança no todo e, consequentemente, modificando o hábito. Faz-nos lembrar que o Dr. Milton Erickson preconizava que se deve evocar pequenas mudanças, facilitando a possibilidade de adaptar-se à diferenciação que se realiza. Lembrando mais uma descoberta de Freud, o ganho secundário do sintoma. Igualmente aqui, é essencial poder ajudar o cliente a aceitar o que é possível no momento. A habilidade em tomar este estado aceitável é básica. É preciosa essa observação do Dr. Milton Erickson.


Léa Machado


Bibliografia: Filme, Além da Alma e algum conhecimento prévio.

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