Entrevista/Malomar Lund Edlweiss 

Leia abaixo esta entrevista concedida aos 91 anos à jornalista Ellen Cristie do jornal Estado de Minas de 09/03/2008.

Psicólogo, psicanalista e hipnoterapeuta, Malomar Lund Edelweiss, hoje com 91 anos, teve duas linhas de formação básica: a jurídica e a filosófico-teológica. Tornou-se professor universitário em 1952, no Rio Grande do Sul, pela fundação da Faculdade Católica de Filosofia de Pelotas, na qual assumiu a cadeira de filosofia, além do cargo de diretor. Apaixonado pelas idéias de Freud e autor do livro Com Freud e a psicanálise, lançado pela Editora Lemos, ele concentrou seus estudos nos fenômenos hipnóticos e se dedicou à prática da hipnoanálise e da hipnoterapia. Fundador do Círculo Psicanalítico de Minas Gerais, também criou o curso e o Grupo de Estudos de Hipnoterapia e Hipnoanálise, para a formação de profissionais especializados no estudo e na atividade clínica aliada ao emprego da hipnose na área de saúde. Em entrevista ao Bem Viver, ele fala sobre os benefícios da hipnoterapia no processo terapêutico e a resistência de determinados profissionais em aceitar práticas como a psicoterapia breve.

Qual é o principal legado de Sigmund Freud?

É imensurável o legado de Freud. O principal é a descoberta do inconsciente como uma realidade psíquica.

Quais são as principais funções da hipnose e da psicanálise?

Psicanálise e hipnose se complementam, daí o termo usado pelos hipnoanalistas: hipnoanálise. A meu ver, ainda é difícil para os psicanalistas clássicos ou ortodoxos entenderem isso. É algo ainda pouco divulgado. É sabido que Freud começou pelos caminhos da hipnose e, como era uma característica dele, nunca abandonava uma idéia. Sempre abria novas vertentes. Aconteceu com a primeira e segunda tópicas, por exemplo. E, hoje, retomamos uma idéia inicial de Freud, como diz o título de meu livro, sem nenhuma pretensão de me igualar a Freud, como uma continuação dessa idéia, já acrescida de todo o caminho percorrido pela psicanálise até os dias de hoje.

E o uso dessas práticas na odontologia e em outras áreas, por exemplo?

A hipnose nada mais é do que um estado de consciência alterado, no sentido de alter = outro, ou seja, diferente do estado de vigília ou do sono fisiológico. Nesse estado, o indivíduo fica permeável à entrada das sugestões hipnóticas. Sugestões que são passadas de maneira indireta pelo hipnoanalista ou hipnoterapeuta experiente, sério, honesto e, principalmente, competente. Na odontologia, como em diversas outras áreas, essas sugestões hipnóticas são passadas ao cliente em forma de truísmos, ou seja, verdades incontestáveis, que são ditas a ele no estado de transe hipnótico. Por exemplo: “Você está aí sentado nessa cadeira , respirando a seu modo, com os pés no chão, bem apoiados e pode sentir-se à vontade como preferir”. Assim você vai preparando o cliente para ir relaxando e entrando no estado alterado de consciência, o que facilita o trabalho psicanalítico.



Uma das suas referências é Igor Caruso. Ele criou o Círculo Vienense de Psicologia Profunda. Como foi sua experiência em Viena e qual o objetivo desse projeto?



Em 1954, a psicóloga Gerda Kronfeld e eu decidimos ir à Viena conhecer Igor Caruso. Ele criou o Círculo Vienense de Psicologia Profunda. O objetivo desse projeto foi conhecer e aprender a psicanálise. Fiz minha análise didática com o professor, assim como a colega Gerda, que ainda é viva, beirando os 100 anos. Voltamos ao Brasil, orientados por Caruso a fundar aqui o Círculo Brasileiro de Psicologia Profunda, hoje chamado de Círculo Brasileiro de Psicanálise.



E o seu livro? Sobre o que trata?

O livro tem duas partes: a primeira é composta de artigos sobre temas clássicos, como relações objetais, o prazer, metapsicologia e algumas coisas desse tipo. Mas como ele ia ficar muito volumoso, resolvi abreviá-lo e coloquei alguns artigos que representam a minha transição sem deixar de ser psicanalista, para a volta ao uso da hipnose como um facilitador de tudo aquilo que a psicanálise trouxe em prol da restauração da saúde psíquica.

O que é o Círculo Psicanalítico de Minas Gerais e qual a sua função?

O Círculo Psicanalítico de Minas Gerais, fundado por mim em 1963, em Belo Horizonte, é filiado ao Círculo Brasileiro de Psicanálise. Sua função é formar psicanalistas. Isso inclui, a freqüência aos seminários ministrados por analistas, didatas, receber supervisões e apresentar trabalhos.



Por que ou do que sociedade está doente? Por que alguns médicos são tão avessos a práticas como a hipnose?

É uma pergunta um tanto ou quanto difícil de responder. Mas, se olharmos à nossa volta, veremos que já estamos vislumbrando progressos notáveis, na área da saúde física ou mental. Não é debalde que a medicina psicossomática está evoluindo a olhos vistos. Os médicos e profissionais da saúde, que antes eram avessos a práticas como a hipnose, estão, devagarinho, se aproximando.

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